EVOKE HG # BLACK HOLE

Uma jovem com um rabo como de uma lagarta que sonha em viver para a arte é apenas uma jovem que sonha em viver para a arte. Um adolescente com uma boca no peito, com dentes, língua e tudo, que busca conforto no seu grupo de amigos é apenas um adolescente buscando conforto. Uma menina com uma rachadura imensa nas costas intensa e apaixonada pela primeira vez é mais uma menina querendo viver o amor. A vida é como ela é. E é assim que ela é no Black Hole, história hipnótica tão bonita quanto aterrorisante de Charles Burns – cartunista, ilustrador e diretor de cinema norte-americano, que botou os dedos em capas do Iggy Pop, da Time, New Yorker e New York Times Magazine, nome frequente nas páginas da antológica e extinta Raw Magazine e no fanzine Sub Pop.

E você achava que a sua adolescência foi assustadora…

Deixemos a aba do livro falar por ele:

“Subúrbio de Seattle, metade dos anos 70. Sabemos do início que uma estranha praga paira sobre os adolescentes da área, transmitida sexualmente. A doença se manifesta de diversas maneiras – do altamente grotesco ao sutil (e omissível) – mas uma vez que você pega, é isso. Não tem como voltar atrás.

À medida que habitamos as cabeças de várias personagens principais  – alguns jovens que têm, outros que não, alguns que estão prestes a pegar – o que se revela não é a esperada batalha para lutar contra a peste, trazer maior conscientização sobre ela ou ainda tratá-la. O que testemunhamos em vez disso é um retrato fascinante e misterioso da natureza da alienação escolar – a selvageria, a crueldade, a ansiedade implacável e o tédio, o anseio por escapar.

E então os assassinatos começam. ”

Black Hole foi premiado com o Harvey Award, uma das premiações mais importantes no universo da HG, e transcende seu gênero por explorar habilmente um momento cultural americano específico  – que o artista, nascido em 55 em Washington e frequentador do underground viveu bem – e a cabeça dos jovens que impulsionavam o seu fluxo; uma época em que não era exatamente cool ser um hippie, mas Bowie era ainda apenas um pouco estranho demais. O que não difere tanto assim dos tempos de hoje. Não importa se você foi ou é nerd, popular, excluído na escola ou se já é mais velho e nem lembra mais como foi essa fase, Black Hole é foda e vale a leitura. É chocante, cru e comovente, e com certeza é algo que você não vai esquecer tão depressa. Se interessou, a Livraria Cultura tem.

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