EVOKE WALL #SOSEK

1

Sosek, abreviação do japonês “Soseki”, que define o incômodo, é um dos pseudônimos do
artista gráfico Carlos Eduardo Doy de 30 anos, 17 deles vivenciados através do graffiti que
soma sua bagagem como designer e ilustrador.

Sosek é um dos três artistas que estréia o Evoke Wall, projeto da Casa Evoke
onde membros da Famiglia  “ocupam” o espaço 9m x 3m do portão de entrada do QG.

A Evoke foi bater um papo com o artista, que está em residência artística em
Jericoacoara- CE, pra entender como o seu mundo pararelo traz á tona
questionamentos espirituais e por consequência o incômodo com o qual se
depara na vida urbana.

5

Ficou curioso? Chega mais.

EVOKE: Como foi a transição do picho para o grafite?

KADU DOY: Hoje em dia, posso ver melhor isso e sei que não houve transição alguma.
Não me considero pichador e nem grafiteiro. O que tenho é uma forte influência dessas
duas culturas, vou tentar sintetizar isso rapidamente. Meu comportamento,
a minha forma de enxergar e de me relacionar com a cena e com a atuação na
cidade vem da pichação. A forma como me expresso, a busca por autosuperação técnica,
e o produto final são influenciadas pelo graffiti. Precisaria de algumas páginas para falar
sobre isso, mas está claro para mim que não há transição.

sus
EVK:
 O que é o Sustos?

KD: Originalmente uma turma de pichação fundada em 1996 no bairro do Jabaquara
em São Paulo. Hoje ela é formada também por amigos que vieram do graffiti de SP
e de Osaka, Japão. Em 2006 começamos a produzir umas camisetas para “espalhar”
pelo Japão.

cores

EVK: Como você entrou para o Sustos?

KADU DOY:  Foi durante minha primeira passagem pelo Japão, entre 2005 e 2006,
na cidade de Osaka. Saia pela madrugada para fazer uns rolês de picho com o Mic San
(primeiro integrante do SUSTO”S). Eu escrevia o nome de outra turma na época.
Andávamos juntos lá e foi assim que começou, quando nos tornamos amigos.

EVK: Você morou no Japão por duas vezes. Como foi essa experiência?
E por que o Japão?

KD: Fui para o Japão conhecer uma parte importante de minhas raízes,
meus avós paternos nasceram lá, e foi minha primeira viagem para fora do Brasil.
Foi uma experiência muito reveladora, pois pude enxergar parte de mim na
cultura japonesa, foi realmente uma redescoberta.

EVK: Conexão Japão Brasil?

KD: Uma conexão muito honesta. Me refiro ao início da história desses dois países.
São pessoas que vieram para o Brasil na primeira metade do século passado,
trazendo com eles bons valores e intenções.

arte

EVK: Além de pintar telas o que você tem feito hoje em dia?

KD: Estou produzindo em ateliê há exatamente um ano. Divido meu tempo entre
aperfeiçoamentos, estudos, pinturas nas ruas e alguns trabalhos comerciais.

EVK: Em quem ou o que você se inspira?

KD: Principalmente nos meus amigos, admiro muito o trabalho de quem
se mantém em constante evolução.

vs

EVK: Sosek vs Pifo?

KD: Só para pontuar, criei o Pifo no final da década de 90 para escrever
meu nome na rua. O Sosek surgiu na metade de 2012, com outra finalidade, a de
poder interagir e criar de uma forma distinta. Foi a maneira que encontrei para não
criar um conflito interno. Eles estão aprendendo a conviver um com o outro,
cada um respeitando seu papel, vai rolar.

EVK: Você está em uma residência artística. Por que o Ceará?

KD: Não tem um motivo específico. Poderia ser em qualquer lugar do Brasil,
onde eu pudesse ter o mínimo de influência externa possível. Pintou o convite, eu topei.

Unknown-1

EVK: Como você vê a arte no País?

KD: Não sou muito prático.

EVK: Recentemente o que você produziu?

KD: No início do ano fui para uma roadtrip de 40 dias até o Ushuaia, Argentina,
de carro com mais dois amigos. Fizemos algumas pinturas por onde passamos,
e em breve vamos editar o vídeo do material captado.

Atualmente estou finalizando um filme animação para o clipe do meu comparsa,
o Rodrigo “OGI” pela Sinlogo.

Fiz duas exposições no ano passado, a primeira individual que foi a apresentação do
Sosek na King Cap em São Paulo, e uma coletiva dos criativos do estúdio Sinlogo.
Essa última em um formato muito interessante, no prédio ocupado da Trackers,
centro de São Paulo, e algumas encomendas.

EVK: Graffiti pra você é?

KD: Era liberdade. Sou muito grato por ter somado na cena de São Paulo,
e pelo graffiti ter uma importância tão grande em minha trajetória.

EVK: Como foi participar do Evoke Wall?

KD:  Foi muito legal, como todas as vezes que visito o QG, para trocar ideias
e saber das novidades.  É sempre bom encontrar vocês, é bem leve e descontraído.

EVK: Evoke pra você é?

KD: São amigos que fazem seu trabalho com amor, qualidade e seriedade.
São referência de como executar um trabalho bem feito. Parabéns pelas conquistas e obrigado.

6

Bio

Aos 30 anos, Sosek está entre os mais ativos artistas de rua de sua geração,
tanto fora quanto – por mais paradoxal que possa parecer – dentro das galerias.
Seu trabalho mixa o aprendizado das ruas com refinadas técnicas do design,
resultado de uma milhagem acumulada em algumas casas de comunicação do país,
como Evoke, Trip e Sinlogo. Além de obras expostas em espaços como
Choque Cultural, Museu da Escultura Brasileira –  MUBE, Hinfumya (Osaka- Japão),
Kobe Urban Festival (kobe), King Cap SP entre outras.

Fotos: Gonçalo Gavino/Celo Santos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *