EVOKE WALL #TITI FREAK

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O artista plástico, grafiteiro e ilustrador Hamilton Yokota, mais conhecido como Titi Freak,
abre o segundo bloco de entrevistas do Evoke Wall. A Evoke foi bater um papo
com o nipo-brasileiro que começou sua carreria com os quadrinhos e hoje é um
dos grandes nomes da cena do graffiti.

Confira abaixo a exclusiva com o artista:

EVOKE: Você começou a pintar por meio dos quadrinhos né? Como foi isso? 

Titi Freak: Eu sempre desenhei. Quando eu tinha entre seis e sete anos, eu desenhei as
paredes inteiras de casa. Meus pais perceberam o meu gosto pelo desenho e me incentivaram.
Na maioria das vezes o meu presente de aniversário ou natal eram blocos de papel, canetinhas
e tintas. Aos 13, fui convidado pelo Mauricio de Souza para estagiar como desenhista em seu estúdio.
Lá eu trabalhei por sete anos com histórias em quadrinhos e com o Mauricio. Foi a minha escola de
desenho.

Titi

EVK:  Como foi a transição dos quadrinhos para as ruas?

TF: Eu comecei muito cedo a desenhar, e com 18 anos me interessei em fazer um trabalho
mais pessoal. Um desenho meu com o meu traço e meu estilo. Percebi que no graffiti eu
poderia crescer e desenvolver uma arte mais autoral. Comecei a grafitar em 1995 e
não parei mais. O graffiti me fez encontrar meu estilo de desenho e pintura.

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EVK: Como e por que você decidiu ir morar no Japão?

TF: Eu já conhecia o Japão e sua cultura, tive a oportunidade de fazer um projeto
no Norte do país e com isso decidi ficar um tempo maior.

EVK: Você foi pintar as casas temporárias em Ishinomaki, no Japão né?
Como foi a reação das pessoas após o trabalho?

TF: Foi mais que um trabalho, mais que um projeto, foi uma experiência de vida,
aprendi muita coisa em relação a vida e ao amor ao próximo.

EVK: Como você entrou pro Sustos? (Pra você ele é?).

TF: Sempre acompanhei a pichação e tinhas vários amigos neste meio.
Já conhecia a crew SUSTO”S a muito tempo, mas não tinha proximidade com os membros.
Em 2007, conheci o fundador, que atualmente mora no Japão e convivemos por um tempo
juntos em Osaka. Essa proximidade e a amizade fez com que me convidassem para fazer
parte do time. E pra mim o SUSTO”S é como uma família.

EVK: Que tipo de sentimentos o seu trabalho gera, ou quais sentimentos você
procura gerar com ele?

TF: Não sei o que ás vezes meu trabalho diz. Com ele eu posso sentir coisas diferentes.
Acho que a minha pintura é como uma ponte entre o olhar e o sentimento do espectador.

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EVK: O que te faz ficar sempre em movimento?

TF: Os meu sonhos.

EVK: O que te inspira?

TF: A vida.

EVK: Conexão Brasil – Japão?

TF: Sempre.

EVK: Como você vê a arte hoje no país?

TF: Forte, única e muito valorizada. Hoje os artistas precisam estudar mais, para
criarem mais e terem paciência com a busca de uma arte autoral e um estilo pessoal.

EVK: Música e arte, pra você é?

TF: Como uma porta que me faz sair deste mundo real.

EVK: O que você tem escutado pra pintar?

TF: Ás vezes clássicos instrumentais , ás vezes hip-hop, ás vezes o silêncio.

EVK: Por que Titi Freak?

TF: “Titi” esse apelido apareceu quando trabalhei no estúdio Mauricio de Souza,
devido a um personagem da Turma da Mônica, e o “Freak” veio quando comecei a grafitar e
nesta época eu tinha uma marca underground chamada “FreakArt“, a ligação dos nomes
veio quando começaram a reconhecer meu trabalho nas ruas.

EVK: Hamilton vs Titi Freak?

TF:  Yin & Yang

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EVK: O que você tem produzido ultimamente?

TF: Uma série nova de pinturas, em painéis de madeira, pintados com pincel,
tinta latex branco e nanquim preto.

EVK: Como foi participar do projeto Evoke Wall?

TF: Muito legal pelo fato de ser um projeto de arte para um marca que gostamos,
e pintar com os amigos é sempre muito bom e prazeroso.

EVK: Aliás como você conheceu o Pifo e o Manzyu?

TF: Os dois também são da família SUSTO”S, conheci em Sampa o Pifo com amigos
do graffiti e o Manzyu em Osaka.

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EVK: Evoke pra você é?

TF: Uma marca que tem uma forte personalidade e que sabe estar em posição e mantendo o estilo.

Fotos: Acervo pessoal

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