Evoke Trends # SXSW 2018

Para os mais ávidos por inovação, tecnologia, criatividade, música e marketing, há um destino: o festival South By Southwest (SXSW). E foi por lá, em Austin, no Texas, EUA, que o blog da Evoke passou em março de 2018.

O SXSW é uma experiência de conexões e ampliação da criatividade e da visão presente e futura desta nova sociedade global que está se formando – e se transformando rapidamente. O epicentro da economia criativa mundial reúne um conteúdo mais do que relevante que abriga desde os atuais temas: Blockchain, A.I. e V.R. até reflexões profundas de como serão as relações humanas em meio às novas tecnologias emergentes.

Conseguimos digerir um pouco deste caminhão de informações sobre branding, marketing e interatividade. Listamos aqui alguns highlights do que vimos por lá – e que acreditamos que irão impactar a sociedade num futuro próximo.

  • Blockchain

Falou-se muito de blockchain, uma tecnologia que descentraliza os processos e visa a criação de uma rede de computadores/usuários que podem validar e repassar transações de um determinado mercado. Esse “protocolo de confiança” surgiu com a criptomoeda Bitcoin. Neste caso, uma rede/bloco de computadores – chamados de mineradores – validam a moeda. Se todo o bloco validou, está valendo. Esse processo é democrático e descentralizado, ou seja, não possui uma instituição por trás. É universal e compartilhado de forma pública. Atualmente a tecnologia está sendo aplicada em bancos convencionais que visam a redução de gastos e maior eficiência nas negociações. Mas nem tudo são flores! Algumas problemáticas são: o extremo consumo de energia e alguns assuntos de segurança cibernética que precisam ser resolvidos antes que o público geral confie seus dados pessoais a uma solução blockchain.

  • Big Data + Inteligência Artificial + Criatividade

Outro assunto presente foi o Big Data analisado por um prisma de como empresas e pessoas se comportam nesse universo de muitos dados disponíveis e quais serão os limites e códigos de conduta dessa matriz. O Big Data é ingrediente necessário para alimentar a Inteligência Artificial e ajudar a criatividade em níveis minuciosos de assertividade. Desta forma fica viável oferecer uma possibilidade de curadoria específica para clientes, empresas e consumidores. A forma como a A.I. será usada para complementar a capacidade humana foi o grande foco dos talks.

“AI é um extensor do cérebro – uma ampliação dos julgamentos humanos, políticas humanas, idéias humanas”, disse o futurista Ray Kurzweil.

Yann Caloghiris, diretor criativo da agência de design de experiência Imagination, falou sobre um projeto no qual uma A.I. e um pesquisador humano foram encarregados de analisar dados de vídeo para analisar emoções. A A.I. era “incrivelmente rápida“, mapeando 250 horas de filmagem em duas horas. O pesquisador humano levava 23 horas – mas a precisão da A.I. ​​era de apenas 21%. “A IA é útil para testar a hipótese e dar-lhe uma resposta muito rápida, mas não lhe dará a profundidade que você precisa“, disse. “O poder real é a combinação dos dois”.

 

 

Whitney Casey, co-fundador e CEO da Finery, apresentou um cenário colaborativo semelhante para IA e influenciadores de moda, em que o rigor de processamento de dados da IA ​​é reforçado pela criatividade e pelo estilo pessoal do influenciador.

 

  • Colaboração & Curadoria

As colaborações têm sido cada vez mais trabalhadas para a discussão de estratégias de criação de marcas que os consumidores defendam de forma proativa. As colaborações não convencionais têm um grande efeito e fazem com que o Storytelling (outro tópico muito falado no SXSW – veja abaixo) ganhe corpo e relevância.

A procura é por diferentes pontos de inspiração em potenciais colaboradores, na intenção de alcançar não só novos públicos mas também informar sobre produtos.

 

Além disso, as colaborações têm sido vistas como um grande revigorante para as marcas. Um case interessante é o do estúdio de fitness SoulCycle, que possui uma lista de colaborações inesperadas com marcas de nicho como Le Labo e varejistas de massa como a Target. A CEO Melanie Whelan faz crowdsourcing de ideias de parcerias de todos os lugares, incluindo seus funcionários de varejo que descobrem marcas legais no Instagram para trazer a bordo. “Nosso primeiro cliente é a nossa equipe. Se a nossa equipe acredita no por que de estarmos fazendo algo, então nossos clientes acreditarão nela e, finalmente, nossos acionistas acreditarão nela.”

O objetivo das parcerias com o SoulCycle é criar algo especial e único que “surpreenda e encante” os clientes enquanto os apresenta a novas experiências.

  • Tech Detox & Sustentabilidade

O excesso de tecnologia tem sido um fator relevante no comportamento, impactando nos hábitos de consumo, relacionamentos, posturas, comunicação e em vários outros pontos da sociedade contemporânea.

Ao mesmo tempo em que a evolução da tecnologia caminha a passos largos, existe uma tendência das pessoas a voltarem ao analógico, comidas orgânicas, pensarem em destinar um tempo off-line para viver o presente sem a interferência de telas, apps e mídias sociais.

A ciberpsicóloga Mary Aiken enfatizou a necessidade de equipar a Geração Z e as próximas com uma abordagem saudável e fortalecida da tecnologia. “Agora é a hora de conversar e preparar a próxima geração para que sejam pensadores críticos sobre tecnologia. “, disse.

 

 

 

Gould Stewart, do Facebook, frisou: “Todos nós temos a responsabilidade de garantir que a tecnologia seja construída e implantada a serviço da humanidade, e não o contrário”.

 

Por outro lado,  a sustentabilidade também teve seu foco entre os palestrantes do SXSW. Enquanto marca, é preciso ter atenção sobre a transparência de nossas reais intenções. Estamos investindo em estratégia de “sustentabilidade” com a intenção de salvar o planeta ou apenas com ações de marketing para vender mais?

O assunto deve ser uma prioridade para todas as marcas. “Um negócio sustentável é um negócio inteligente”, disse Harriet Parker, sócia da Liontrust, empresa de administração de fundos. Uma empresa verdadeiramente sustentável tem o poder de melhorar a velocidade com que funciona . É sobre “fazer mais com menos”.

Embora saibamos que 66% da Geração Z investe em marcas que compartilham valores semelhantes, vincular o jargão de marketing a um produto não ajudará na venda. Tem que ser sobre a virtude do produto e a experiência individual.

  • Marketing Experimental & Storytelling

A cultura e a economia da experiência também foi assunto em alta nos talks e workshops do SXSW. A ideia é ter uma experiência que vai além do apenas “vivê-la” e sim, criar sua própria história e experiência a partir de uma ideia.

O storytelling é uma das principais ferramentas neste caso e pode ser ilimitada se utilizada com criatividade. Um bom case é o da HBO que fez a maior ativação de marca no SXSW deste ano. Para seu novo show, Westworld, foi criada uma experiência de teatro imersivo a 20 minutos de Austin. A HBO recriou o cenário da série Sweetwater, onde os visitantes puderam mergulhar na cidade fantasma entre os 60 atores que perambulavam pela cidade.

O marketing experimental consiste em imergir os consumidores para que a experiência seja sentida e passada para a frente.  Dentro do assunto storytelling que também esteve bem presente entre os talks destaca-se o talk “how to tell the true like a liar”.

  • Interface de voz e design de personalidade

À medida em que a inteligência artificial de voz penetra nos nossos dispositivos, o design da personalidade está se tornando uma área de análise das marcas.

“Pela primeira vez na história, o computador se refere a si mesmo como eu”, disse Sophie Kleber, diretora executiva de produto e inovação da agência digital de Nova York, Huge. “As interfaces de voz são a tecnologia de crescimento mais rápido de todos os tempos – ainda mais rápidas do que a adoção de smartphones”. E com essa adoção surge uma nova intimidade. Em uma pesquisa de 2014, nenhum consumidor disse que um computador deve ser tratado como uma pessoa, observou ela. Avanço rápido para 2018, onde os usuários dizem que eles tratam Alexa como família. “Quando as máquinas falam, as pessoas assumem relacionamentos. É a natureza humana” … “Estamos projetando personalidades de voz”, aponta Kleber.

Finalizando…

Para concluir , eis as principais dicas para marcas que conseguimos captar:

1 Crie uma personalidade que defenda o que você representa. Isso reduz a simpatia universal, mas fortalece a marca.

2 Respeite a natureza humana. Temos que entender que agora estamos lidando com relacionamentos. O papel do designer mudou. Não são dados, é psicologia.

É um fato que voltamos ao Brasil com mais perguntas do que respostas, afinal, no SXSW você é instigado a se perguntar o tempo todo.

E falando de música, que é onipresente na conferência, trouxemos duas atrações que o blog assistiu e aprovou:

Johnny Fury

Ezra Collective

Ah, indicamos também a cobertura completa do SXSW pelo Update or Die. Clique aqui

Todas as fotos deste post foram feitas pela equipe da Evoke, no SXSW 2018.

 

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